Não é novidade pra ninguém que estamos em "pé de guerra" contra o Governo e contra as grandes empresas que possuem poderes não condizentes com o papel de uma organização (sendo ela pública ou privada).
Os eventos criados pela população tiveram início no começo do ano e agora chegam forte aos dois maiores núcleos do Brasil: São Paulo e Rio de Janeiro.
Não quero aqui desmerecer nenhuma outra região do país, mas como sou paulistano, tenho mais propriedade e conhecimento para falar sobre nossa cidade.
- O motivo de tudo
Bom, primeiramente é importante ressaltar que os vinte centavos de aumento, por si só, já é um absurdo, dando lucro de mais de meio bilhão de reais por ano para as empresas e pro governo estadual, já que além dos ônibus, os trens da CPTM e o Metro também subiram. E realmente não há justiça nisso, mesmo partindo do pressuposto (e claro que irreal) de que melhorias serão feitas com esse dinheiro. Mas além disso, o que o povo está reivindicando é o abuso do poder do governo e suas políticas nada favoráveis a sua população, que por uma ironia, foi quem os elegeu.
A Copa das Confederações por exemplo. Investimentos bilionários, que de início seriam de capital privado, passou a ser de investimento majoritariamente público, dinheiro esse que convenhamos: não fariam mal para nossas instituições de ensino básico, superior, hospitais e saúde no geral, melhorias de infraestrutura (como para o próprio transporte, por exemplo) e outras inúmeras áreas com deficiência no Brasil.
A paciência do povo tupiniquim está realmente no limite, principalmente da juventude.
- O que mudou
Não é de hoje que o país vive a extrema desordem. Mas, subitamente, a população parece ter acordado. Um dos motivos é o fato de que no período do pós-ditadura, é perfeitamente natural que haja um comodismo por parte das pessoas que lutaram pela causa da época. Entretanto, com o passar do tempo, começou a haver uma "inflação" do que as pessoas aceitam como o mínimo que as autoridades tem de fazer. Além disso, ferramentas importantes como a internet (claro que com os devidos ressalves) surgiram, permitindo uma maior organização do povo.
Os eventos esportivos e religiosos também tem "culpa" nesse novo despertar. Além de nesses tempos a mídia dar mais relevância à desordem, a quantidade de dinheiro "jogado fora" ultrapassou todos os limites do aceitável (não que haja algum), e tudo estourou (assim como as bombas na capital paulista no dia 13 de Junho). As manifestações europeias e africanas também deram um incentivo a mais para os sulamericanos.

Imagem de manifestantes na Grécia
- E a mídia?
Os nossos tão controversos meios de comunicação (impressos, virtuais e televisivos) tem participação DIRETA no desenrolar da situação. Antes do dia de ontem (quinta-feira, 13 de Junho), era notório o vínculo da imagem dos protestantes à baderneiros sem legitimidade. O jornalista Arnaldo Jabor encabeçava a lista que também tinha todo o pessoal do jornal O Estado de São Paulo, que inclusive não dava sequer um mínimo mérito à causa, e a Rede Record. Entretanto, jornalistas desse mesmo jornal foram atingidos pela polícia (ou chamemos de exército??) e rapidamente, mudaram de opinião, fingindo não ter criticado duramente o movimento dias anteriores (interessante comparar isso com o Ministério da Verdade do livro 1984 de George Orwell).
As redes de jornais e, principalmente televisivas, tem caráter de extrema importância no atendimento dos governantes às reivindicações das pessoas. Nenhum bom político gosta de ter sua imagem vinculada a fatos que, a Rede Globo, por exemplo, diz que é ruim.
Baseando-se no dia de hoje, sinto que a mídia adotou um caráter neutro perante a situação, deixando de emitir fatos importantíssimos, como o vídeo de um policial quebrando o vidro do próprio carro, e ao mesmo tempo criticando a forma de agir da polícia. Porém isso é INACEITÁVEL. A função dos meios de comunicação é passar a verdade dos acontecimentos, e não ser omissa a eles.
- Manifestação do dia 13 de Junho
A respeito desse dia, posso falar sem ser manipulado por informações que passam de pessoa a pessoa e chegam nos nossos ouvidos. Pelo fato de estar lá, posso contar a minha versão (sinta-se a vontade de discordar) sobre o que ocorreu. Primeiramente desci na estação República da linha Vermelha do Metro. O meu objetivo inicial era descer na estação Anhangabaú, mas haviam rumores de que estava fechada. Logo ao chegar me deparei com com a multidão marchando em sentido centro novo, sem nenhuma espécie de agressividade (isso era por volta de sete horas da noite). Passado vinte minutos a Tropa de Choque passou ao nosso lado, batucando, para ser notada. A multidão reagiu com gritos, mas não passou disso. Cinco minutos depois vieram as bombas. De início chegaram pela frente, mas em pouco tempo tomou todos os lados e todo o povo ficou sem saída, fossem manifestantes, civis ou jornalistas.
Em pouco tempo, blocos de mil pessoas, aproximadamente, se espalharam pelos acessos da Avenida Paulista (como a Rua Augusta e a Bela Cintra). Por esses caminhos, o que nos aguardava era assustador: policiais de todos os cantos, atirando bombas por toda a parte. Lembro-me que em um determinado momento, encurralados pela Tropa de Choque, nos sentamos no chão e pedimos que agissem sem violência. Fato que não ocorreu. Bombas fora lançadas e gente foi pisoteada por toda parte. Nessa "sinuca de bico", mostrando compaixão (e o que me dá vontade de continuar), um dono de bar abriu as portas do estabelecimento e nos deu abrigo. Fiquei lá até bem mais tarde, quando tudo foi se acalmando.
- Conclusão
"OOOOO, O POVO ACORDOOO", era a frase mais marcante do dia de ontem e das passeatas em geral que estão ocorrendo. E realmente parece ser verdade. Estamos num momento em que se as autoridade não nos servirem, não terão o mínimo de sossego!
PS: segunda-feira tem mais!!
