Dia 14 de Agosto de 1975. O então embaixador dos EUA no Brasil, Lincoln Gordon, manda um documento a seus superiores informando a ligação de Roberto Marinho, dono das Organizações Globo, com ícones da Ditadura Militar do Brasil.
No documento é informado que Marinho tentava convencer Castelo Branco a prorrogar ou até mesmo renovar seu mandato. O general, entretanto, mostrou-se resistente à ideia, porém aceitou a indicação do dono da Globo para que Juracy Magalhães, então embaixador do Brasil nos EUA, fosse o novo Ministro da Justiça. O motivo? O ministro da época, Milton Campos, era considerado muito bonzinho, e Magalhães seria responsável por endurecer o regime, fato que realmente ocorreu. O novo ministro aumentou a censura e pediu a cabeça de diversos jornalistas de esquerda.
Documento citado. Crédito:Helena Sthephanowitz
Obviamente, Marinho não parou por aí. Armando Falcão, Ministro da Justiça de Geisel, considerava o dono da Globo "o mais fiel e constante aliado". e a emissora tornou-se totalmente conivente com o AI-5. Hoje sua família tem uma fortuna avaliada em mais de R$50 bilhões, fora todo um ramo de influências em assuntos políticos e econômicos no panorama nacional.
Mais de trinta anos depois do fim da Ditadura Militar, a mídia continua mostrando que tem papel importantíssimo no modo de vida da população, seja nos pensamentos, seja nos atos.
------------------------------------------------------------------------------------------------------
Caracterização da população
A ideia de uma boa parcela dos eleitores hoje é de que o país vai bem se a economia vai bem, sobretudo no estado de São Paulo. A distribuição das riquezas e o equilíbrio social parece não fazer diferença na avaliação de um determinado governo. Todos sabem na ponta da língua que o país passa por uma recessão econômica, mas não fazem ideia do crescimento do número de pessoas que tem acesso ao ensino superior, consequência de programas como o FIES, ProUni e a construção de diversas Universidades Federais. Sabem muito bem que o dólar ultrapassou a marca de três reais, apesar de não fazerem ideia do que isso implica, exceto que seu iPhone vai custar mais caro, e não tem ideia do numero de pessoas que saiu da linha da pobreza nos últimos doze anos.
As pessoas sabem muito bem que no governo do PT estouraram escândalos como o Mensalão e o caso da Petrobras, mas não fazem ideia do caso HSBC, tremsalão ou privataria tucana.
As reivindicações do dia de hoje, 15 de março, evidenciam um problema muito grande da população das regiões mais ricas do país: a sociedade é tecnocrata, não tem praticamente nenhum senso crítico diferente do que a mídia diz, e é extremamente egoísta.
No governo PT seria até uma injustiça dizer que os ricos perderam dinheiro. Banqueiros, empreiteiros, agropecuaristas e diversos magnatas ficaram ainda mais enriquecidos. Então por que essa classe odeia tanto o cenário político-social atual? Uma hipótese é a do puro egoísmo. As classes altas simplesmente não aceitam o fato de que os mais pobres começaram a ter acesso a coisas que antes só os ricos tinham. Não é incomum ouvimos alguém reclamando que os aeroportos estão parecendo rodoviárias. Que os shoppings estão infestados de gente da pior espécie,
Claro que não é a única explicação. A forma não neoliberal do governo do PT também incomoda muito. Para os burgueses o Estado precisa ser mínimo, com impostos quase inexistentes, sem planos assistenciais e com serviços públicos raros. Por isso especulam. Por isso "peonizam" a população. Não querem uma população estudada, pensante, querem uma que saiba apenas martelar um parafuso. Querem uma que saiba apenas planejar um prédio. Não querem que as pessoas sejam multidisciplinares e tenham conhecimento sobre sociedade.
------------------------------------------------------------------------------------------------------
Voltando a mídia
Durante toda a semana Globo, Folha de São Paulo, Terra e todas as outras mídias gigantes do país fizeram literalmente propaganda do ato que pedia a saída da presidente Dilma e do PT. Mal falaram do ato pró governo da sexta-feira (13). Mal falaram de atos contra a violência nas favelas. Mal falaram sobre os atos que não atingem seus interesses. Resultado: pessoas alienadas, egoístas, estúpidas, ignorantes foram as ruas pedindo coisas das mais absurdas, como a volta do regime militar. Pegaram seus mantos verde-amarelos e fizeram das ruas do país verdadeiros desfiles de roupas, tops e saias. E para sua argumentação: um roteiro recém decorado de palavras do Jornal Nacional e manchetes da Folha de São Paulo. A estupidez da população deve ser tratada como um problema. Um problema que a mídia insiste em financiar a fim de sempre conseguir seus interesses, como fazer o PT sair da presidência, seja agora, seja daqui a quatro anos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário